Que o sol, quando o vou colher à foz, me troca as voltas à vida e aparece como bola preta já é sabido, não tivesse eu deixado algures no água viva uma imagem dele tal qual como esta, embora em cenário com outros adereços. Agora, o que está desfasado é o título da entrada e a própria imagem. Se bem que floresta e mar combinem lindamente noutras paragens, quem conhece a foz sabe que ali, diante da desembocadura do douro, há um jardim chamado do passeio alegre. O jardim tem o coreto, bancos de ripas vermelhas, o minigolfe e o petergolfe, o majestoso wc público, anos vinte do século passado, o chafariz barroco de granito e os pequenos lagos com repuxos, envolvidos em amores-perfeitos multicoloridos, estrategicamente colocados no amplo espaço. As ramagens das árvores cobrem de tons vários o céu de quem chega fica ou passa. Predominam os plátanos e as habituais palmeiras que tanto impressionaram o poeta da foz que lhes dedicou um lindo poema comparando-as aos marinheiros de homero. O poeta que saiu da moldura não se refere às discretas palmeiras misturadas na paisagem central, mas às que desafiam os ventos e que estão claramente à margem do jardim e do rio-mar. À margem do rio encontram-se também os pescadores. Em grupos ou solitários espalham-se pela parede de granito horas a fio. Conversam, bebem e pescam. Certas vezes esperei discretamente algum tempo para ver o peixe preso no anzol a serpentear no céu, mas que tempo tão comprido! O meu último passeio por ali, mais atenta ao linguarejar, trouxe-me, misturada à voz do rio do rio-mar e do mar, pedaços das conversas dos pescadores sempre entrecortadas pela palavra caralho. Assim, nua, sem qualquer atenuante.
Há 4 anos
lembro-me bem da foz e dos restaurantes e casas de chá que por aí se plantam. zona bem agradável.
ResponderEliminarbjs.
Conheces a Casa de Chã do Siza, em Leça?
ResponderEliminarSem dúvida que a Foz é dos lugares mais aprazíveis da cidade. Tens que voltar cá.
beijinhos
Aqui na ilha, o mar e a floresta ainda combinam lindamente, mas as conversas dos pescadores, e dos de outros ofícios, também costumam entrecortar as frases com a palavra caralho, assim sem dó, com a naturalidade de um gesto adquirido. É triste...
ResponderEliminarBeijo
Não sabia disso aí na tua ilha. Aqui no Porto, esta língua vernácula é muito usual. Mas incomoda.
ResponderEliminarBeijinhos