sexta-feira, 18 de julho de 2008

sonho de uma tarde de verão




Sinceramente, não sei em que posso contribuir para defender a língua portuguesa. Se a língua é um bem de cada um, por que carga de água devo defendê-la e contra quem? Uso-a, é minha e é imensa. Poderão achar que sou arrogante, que profano a lei da vida e que o céu devia cair-me em cima, mas eu cá penso que a língua portuguesa está a rir-se desbragadamente de mim e dos acordos passados presentes e futuros, e lamenta apenas que o plano nacional de leitura, aqui, no luso antro, sirva para disfarçar a amplitude da ignorância, cognominada iliteracia, que grande parte da população jovem vai exibindo juntamente com os telemóveis, o crédito imediato e os concertos e concentrações em que o verão é tão pródigo.
Quanto aos prós e aos contras, aos livreiros titãs e às acções de caridade que se porfiam entre pobres e ricos, é melhor reflectir sobre o que cada um destes últimos pode e quer fazer para agradar à língua portuguesa e ser por ela respeitado. Aqui, na lusa lapa, que se relancem os estudos humanísticos, que se regresse a roma, e que se leia camões de fio a pavio. Afinal, o poeta tem tudo a ver com os dias de hoje, também ele falava de uma idade de ouro perdida e também exortava a que não se baixassem os braços. Com a vantagem da língua portuguesa ter andado perdida de amores pelo bardo zarolho. E de amores, cada um sabe de si.

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