terça-feira, 15 de julho de 2008

anónimo sem causa



Fólio 50r, a caligrafia é legível e bem desenhada, o conteúdo enquadra à perfeição o cancioneiro, pelo menos a parte mais terrena. Percebo que o anonimato dos textos me impede de chegar a algum nome sonante do século XVI, mas sei há muito, aliás acho que sempre soube, que o meu caminho não era por aí. À margem do estudo delicio-me com este dizem que aparece em alguns textos e que prova que o compilador do manuscrito é gente séria que transcreve o que lê ou ouve, sendo certo que nem ele sabe a autoria quanto mais eu.
Mas não se fica por aqui quem diz o quê. A tal famosa carta em resposta a outra do abade da Beira começa como se vê aí em cima, se a imagem for ampliada.
No final do fólio, pode ler-se:”…trabalhei de haver à mão uns itens que desta causa tratam que dizem que fez um mister desta cidade para sua lembrança e fugir de semelhantes erros no seu parecer quando se vir em concluir que foram achados na mão de um cego pedindo esmola à porta de P d’Alcaçova.” Ora, o autor da carta vai falar de Lisboa e de D. Sebastião e de tudo, mas escuda-se atrás de um cego. Simbólico, não?
Recapitulando, há o mister que faz a lembrança, há o cego que a recita, há o ouvinte que a vai reproduzir ao abade da Beira, há o compilador que a copia sei lá de onde, mais eu e...

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