terça-feira, 14 de outubro de 2008

este inferno





Ciclicamente regresso a garrett e às folhas caídas. Não é um poeta que procure nas minhas deambulações pelos livros mas quando o encontro pela obrigação profissional recupero o encanto da primeira vez que o li. Dizemos garrett no princípio da primavera ao entardecer, sempre ao entardecer ainda quente de promessas, porque as folhas caídas são primaveris seja qual for a estação que vestimos. Não te amo, quero-te…é bom de ouvir em demasia, é bom de repetir e ver o inferno crescer dentro de alma dita jazigo pelo poeta naqueles versos anafóricos de amar de amor, mas sabemos também que quando se ama não se distingue a alma do corpo. O gelo queima e o fogo gela e o exercício que o poeta faz é excessivamente racional na irracionalidade do querer e a interrogação que fiz eu que fez ela tem como resposta a consequência de um olhar, deus, um olhar. Não sei o que fiz, não no sei, diz o poeta. E nós dizemos também, não sei, não sei, mas a vida ganha outras cores, as cores das folhas caídas, afinal é outono.

imagem: Sinete de Almeida Garrett.

8 comentários:

  1. :)

    também gostas de ler Garrett, azuki?

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  2. hummm, confesso que não sou grande fã...

    (ultimammente, ando entregue à fruição da literatura épica da antiguidade clássica)

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  3. Se um dia te decidires por Garrett no LP, estou pronta.

    Viagens na minha terra e a Joaninha.

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  4. gosto de Garrett e desse poema, assim como do outro pescador da barca bela....
    e muito, mesmo muito de viagens na minha terra, o episódio de joaninha.

    bjs.

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  5. moriana,

    também gosto da viagens por todos os motivos. Garrett e Herculano, porque sairam estes autores dos nossos curricula? Quo Vadis?

    bj

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  6. Por coincidência ou não, hoje falaram-me do "folhas caídas". Tenho-o e ainda não o saboreei. Tenho tantas imperdoáveis como esta falha. Hoje, após muito tempo ausente, percebi que é bom regressar a este espaço. É tão bom que continues a partilhar, Clarinda.
    :)

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  7. Que bom, Duarte! Acho fundamental o Garrett e é um delírio de ler. Obrigada pelas tuas palavras...vou partilhando.

    Se aqui voltares: não sei porque cargas de água apareceu esta modalidade de moderação de comentários. Devo ter feito alguma troca sem saber. Verei se consigo retirar a moderação de comentários.

    Beijinhos

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