domingo, 8 de fevereiro de 2009

portefólio 2












No último andar do museu está o grandioso painel de azulejos que retrata a cidade antes de um de novembro de mil setecentos e cinquenta e cinco. Dezasseis quilómetros de rio tejo debruado de edifícios que fazem parte da nossa memória colectiva. Recordo a capela real, a torre do relógio, o palácio do duque de aveiro, a ribeira das naus. Uma cidade ainda sem pombal, o omnipotente primeiro-ministro que calou os távoras, o duque de aveiro, o padre malagrida e todos quantos se lhe opunham por pensamentos, palavras actos e omissões, não só em lisboa mas em terras de aquém e de além mar. Chegado este ponto final encontro-me numa encruzilhada. Continuo no museu? Abandono o passado e resvalo para o presente, agora que se ouve tanto a palavra medo? Regresso a sebastião josé? Descrevo a pose com que a marquesa de távora subiu ao patíbulo, ela que foi a única a ter direito a uma morte imediata, sem que lhe partissem as pernas antes e tivesse que soltar gritos lancinantes? Falo da amante do rei, poupada e esquecida? Da terra salgada como sinal de castigo eterno contra os que atentaram – disse o omnipotente – contra a vida do rei? Ou deixo-me ficar pela cidade assim tal e qual é, cidade de fim de tarde em dezembro? Com estas hipóteses cheguei a outro ponto e não me decidi por nenhum trilho. Estou na praça do comércio, imagino que. Tenho o caminho marítimo para a índia na cabeça, sei que devo aproximar-me da costa brasileira para pegar bons ventos. Já passei o cabo da boa esperança, antes mesmo de sair do cais. Ao meu lado o engenheiro campos aguarda a hora de não partir nunca. E tu, e tu, quando desces do castelo? Há muito que o mouro rasis escreveu o seu relato do cerco. Os cruzados já não vão para a terra santa. Afonso I recompensou-os qb e estão espalhados pelos conventos do país, como os judeus cristãos-novos estarão um dia pelas cercanias das serras no interior que agora está desertificado, mas que ainda é portugal. Emagrecido.




fotos: museu do azulejo, lisboa

4 comentários:

  1. Um museu magnífico! Possui uma das mais antigas vistas de Lisboa.
    Quanto às terras salgadas, em Belém, conheces o pelourinho com os cinco anéis em pedra, correspondentes as supostos traidores (é controversa a história...)?

    bjs, bom domingo.

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  2. Conheço, mas descobri-o por mero acaso uma vez que me queria abrigar da chuva quando saí da casa das saborosas natinhas. Muito controversa a história do atentado.

    Adorei o museu do azulejo. Imperdível!

    Beijinhos, moriana, e boa semana.

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  3. Então Clarinda, e eu, eu, o chapeleiro que vive neste museu?

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  4. Sr. Chapeleiro, tire o chapéu e apresente-se então, .o espaço é seu

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