sábado, 8 de novembro de 2008

ao terreiro, ao terreiro


Sexta. Ainda esta léria da avaliação. Ainda esta treta a fazer correr a tinta. Que discursos se podem pronunciar quando a pelicana não vê não ouve e só fala. Fala seguro e firme de acordo com cartilhas que agradam a quem pensa o professor como um preguiçoso e privilegiado da sociedade portuguesa do século vinte e um. Mas as cartilhas servem até ao momento em que a realidade se sobrepõe a elas. Ainda esta chatice de conversa que parece estar sempre a começar mesmo depois de tanta papelada preenchida, de tanta reflexão e debate, de tanta reunião e despacho, enfim, sem fim. Custa-me pronunciar a palavra professor. Já enche! Para quem está de fora, é uma maçada também. Estamos todos fartos. E no entanto, algo impele esse ser, rebaixado pelo chicote implacável da pelicana, a regressar ao terreiro. Não chega dizer que a culpa é do sindicato, o que quer que esta palavra queira significar. Ignorar as cem mil pessoas na rua do dia oito de março – sabemos lá quantas hoje – é estar cego e surdo. Atar o professor à palavra avaliação, no modo como está a ser imposta, e exibi-lo domado perante a opinião pública parece ser a verdadeira finalidade, mas falta entender o resto. E o resto é tudo.

1 comentário:

  1. Muito bem! Como é que o Presidente da República pode continuar a ignorar o que se passa?

    evva

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